Maldamor continuava a coleccionar seus escalpes, multiplicava incursões pelos bosques do lugar fantástico do seu nome, acompanhado do cão de caça.
Ninguém sabia onde vivia, jamais alguém localizara o seu reduto, somente a sua passagem na devastação súbita, no fenecer de naturezas e seus desabamentos.
Então reconheciam a força terrível, saídas, cavalgadas nocturnas, danos mais sentidos que vistos.
Era a desolação onde antes existira o riso, afagos, um coração batendo alegre ou ansioso em seu toque límpido; o som abafado, como de tambor longínquo, deixava os membros lassos e, por onde quer que o olhar divagasse, só encontraria desolação.
Maldamor passava indiferente a tudo, até a si próprio, na realidade ele nunca se pusera em causa, pois nunca poderia ser diverso.
Continuava a lançar-se, como pedra atirada por funda traiçoeira, sobre os seres e, depois destroçá-los, deixava que o seu cão de caça os estraçalhasse até à desolação.
«Ele não se moveu.
Fascinado, olhava-a e ia notando a subtil transformação que acontecia.
O arco das sobrancelhas de Ivre tornava-se mais forte, duro, os lábios petrificados em suas linhas; as mãos, onde os dedos se iam curvando, perdiam a beleza, a fragilidade.
Quando o cão gigantesco se deteve, subitamente, ao lado dela, uma das mãos pousou-lhe na cabeça; mas os lábios ainda aconselhavam: foge!.