Nos finais de 1930, o concessionário Ford do Porto, Manuel Alves de Freitas & Cª, surpreendeu o pequeno universo da competição automóvel nacional daquela época, ao apresentar um Ford A relativamente transformado nas provas de velocidade do calendário autóctone. Era o embrião de um primeiro “racer” pensado, desenhado e realizado em território nacional, com uma preparação que se assemelhava ao que de melhor se produzia por essa Europa fora, utilizando como base mecânica o Ford A. Não é óbvio nos dias de hoje perceber qual a motivação de Manoel Menéres, o “maestro” da concessão daquela marca norte-americana, em financiar um projecto desta natureza.
O panorama do automobilismo nacional, nessa altura, não era de uma riqueza excecional, mas o número dos Bugatti 35 existentes então no parque automóvel nacional (Lehrfeld, Adalberto Marques, Nunes dos Santos, Marinho e Ferreirinha) era suficiente para desmotivar um candidato a construtor com meios reduzidos, utilizando um modesto motor de quatro cilindros de válvulas laterais, com um chassis pesado e uns travões com pouco zelo. Menéres era um planificador por excelência e tinha uma grande capacidade de organização. A montagem de um “kit” de transformação Miller destinado ao Ford A que usava quotidianamente surpreendeu-o, mas deu-lhe também uma ideia: mostrar as potencialidades do “novo” Ford A, assim vitaminado, ao seu amigo Eduardo Ferreirinha, técnico de génio e também grande piloto que, igualmente, ficou entusiasmado com as performances do pacato modelo americano.
A participação na Rampa da Penha, no final da época de 1930, confirmou o potencial do novo automóvel e Manoel Menéres rapidamente se decidiu pelo financiamento da execução de um automóvel de corrida, o primeiro em Portugal, dando uma notoriedade sem par à sua organização, à sua marca, aos seus produtos e serviços, usando a tecnologia por si conhecida havia já muitos anos.
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